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Perícia em sistemas ERP (TOTVS, SAP, Oracle e outros): quando e por que ela é necessária

Em que situações a análise técnica de um ERP vira prova decisiva, e por que poucos peritos conseguem realizá-la.

A perícia em sistemas ERP é necessária sempre que o que está em disputa depende do que o sistema realmente registrou, configurou ou executou, e não apenas do que as partes afirmam ter acontecido. Em litígios empresariais, o ERP costuma ser a única fonte objetiva e contemporânea dos fatos, e é justamente por isso que sua análise técnica pesa tanto quando a controvérsia chega ao Judiciário.

Em que situações a perícia em ERP costuma ser necessária

Os cenários mais comuns envolvem quatro tipos de disputa: conflitos entre a empresa e o fornecedor ou consultoria que implantou o sistema (falhas de projeto, atrasos, funcionalidades contratadas que não funcionam como prometido); suspeita de fraude interna operada por meio do próprio sistema; litígios societários em que registros financeiros e operacionais são prova relevante; e divergências contábeis ou fiscais que só se esclarecem entendendo como o sistema calculou ou lançou determinada operação.

Em todos eles a pergunta de fundo é a mesma: o que o sistema de fato fez, e por quê. Responder isso com segurança exige ler o ERP como ele realmente é, e não como a documentação comercial ou o relato de uma das partes o descreve.

O que um ERP registra e por que isso se torna prova

Sistemas de gestão empresarial mantêm, em camadas diferentes, trilhas de auditoria (quem alterou o quê e quando), perfis e permissões de acesso, parametrizações que definem como cada processo se comporta e registros de execução de rotinas automáticas. Cada um desses elementos conta uma parte da história, e nenhum deles, isolado, costuma bastar. O valor probatório aparece quando as camadas são correlacionadas, por exemplo, ao cruzar uma alteração de parametrização com o perfil do usuário que a realizou e com os lançamentos que passaram a se comportar de forma diferente depois dela.

Por que é uma especialidade tão rara

Cada família de ERP organiza seus dados, seus logs e suas configurações de uma forma própria. Ser um bom perito de informática em geral não significa conseguir navegar com segurança pela estrutura interna de um ambiente TOTVS, SAP ou Oracle, nem distinguir o que é comportamento padrão do que é customização feita para aquele cliente. Por isso, a oferta de peritos com essa capacitação de fato é pequena, e a diferença entre um laudo que explica o que ocorreu e um laudo que apenas descreve telas do sistema costuma estar justamente nesse domínio.

O que compromete a prova antes mesmo da perícia

Em ambientes empresariais, o maior risco costuma ser a perda silenciosa de informação: rotinas de retenção que descartam logs antigos, atualizações de versão que reorganizam estruturas de dados, troca de consultoria com ajustes feitos "para corrigir" o problema e que acabam alterando o estado que precisaria ser preservado. Quanto mais cedo existe orientação técnica sobre o que preservar e o que não mexer, maiores as chances de a análise conseguir reconstruir os fatos com segurança.

Para saber mais sobre esse serviço, veja a página de perícia em sistemas ERP, e também a de investigação de fraudes, área frequentemente complementar. Dúvidas gerais sobre perícia digital estão no Centro de Conhecimento.

O próximo artigo desta série trata de perícia em propriedade intelectual e direito autoral, outra área com poucos profissionais especializados no país.


Este conteúdo é informativo e não substitui consulta jurídica ou pericial específica ao seu caso. Precisa de um parecer técnico para o seu processo? Fale com o perito.